domingo, 28 de setembro de 2008

"ES VERDAD"





Ay qué trabajo me cuesta

quererte como te quiero!

Por tu amor me duele el aire,

el corazón

y el sombrero.



Quién me compraría a mi,

este cintillo que tengo

y esta tristeza de hilo

blanco, para hacer pañuelos?



Ay qué trabajo me cuesta

quererte como te quiero!


FEDERICO GARCIA LORCA
( 5/6/1898 - 19/8/1936)

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

"LEGADO"


( 22/9/1949 - )


LEGADO




Tenho gelo

A crescer

Por dentro

Das veias

E

Pesado manto

Sobre os ombros:

Não desconheço

Que

A minha barca

Começa a sulcar

Os atalhos

Da mais longa viagem.




Sem ignorar os sinais

Lego como herança

A certa certeza

De que

Só o amor

Liberta e dá voz

À divindade

Dentro de nós!


São ( "Em Ouro Cru")


NOTA:
A foto foi tirada no Egipto em 2008

domingo, 14 de setembro de 2008

"AMIGA"


AMIGA


Para cristal te quiero,

nítida e clara eres.

Para mirar al mundo,

a través de ti, puro,

de hollín o de belleza,

como lo invente el dia.

Tu presencia aquí, sí,

delante de mí, siempre,

pero invisible siempre,

sin verte y verdadera.

Cristal! Espejo, nunca!



PEDRO SALINAS

(27/11/1891 - 20 /12/1951)






Descobri Pedro Salinas entre Federico Garcia Lorca e Pablo Neruda na antologia "Amor" e fiquei maravilhada.


Desejo que também a vós , esta bela poesia vos conquiste!

domingo, 7 de setembro de 2008

KAFKA : PENSAMENTO



" Se o livro que lemos não nos acorda com um murro no crâneo, para quê lê-lo? Para que nos faça felizes, como escreves? Por Deus, sê-lo-iamos da mesma maneira se não tivéssemos livro nenhum, e, se fosse necessário, poderíamos escrever os livros de que precisamos para sermos felizes.

Muito pelo contrário, necessitamos de livros que sobre nós exerçam uma acção idêntica à de uma desgraça que muito nos tenha afligido, tal como a morte de alguém que amássemos mais do que a nós próprios, como se fôssemos proscritos, condenados a viver nas florestas, afastados de todos os nossos semelhantes, como num suicídio - um livro deve ser o machado que quebre o mar congelado em nós.

É assim que eu penso."

FRANZ KAFKA
( 1883 - 1924)